MILTON NASCIMENTO – Do mundo

O mundo esta vivendo um momento único de inversão de valores. Estamos dando repentinamente muitos passos para trás. E num momento como este sempre é bom refletir sobre o que fizemos de errado. Alguns de nós tem muita dificuldade de entender o que está realmente acontecendo. Nós mudamos? A qualidade do que nós somos deixou de existir? Na mais superficial das hipóteses sim. Nos tornamos pessoas piores.

Então, quando alguém se aproximar de voce com aquele discurso saudosista e “chato” sobre como as coisas eram melhores no passado, pare tudo que voce estiver fazendo e ouça o que esta pessoa tem a dizer. Ela está coberta de razão.

A obra de Milton Nascimento, é um exemplo perfeito disso porque prova que a industria da música atual não tem a capacidade de entender que mainstream e qualidade absurda podem e devem andar sempre juntos.

Dono de uma das vozes mais lindas do mundo, Milton Nascimento derruba de vez a barreira entre o erudito e o popular. Inspirando-se na musica barroca clássica mineira, fundida com sons guaranis, andinos e africanos ele produziu os disco de maior qualidade técnica e emotiva da musica popular brasileira.

Milton é um dos raros casos de artistas brasileiros que já no segundo disco solo teve lançamento e distribuição mundial, e isso aconteceu em 1967. Foi o primeiro artista de musica popular a gravar com uma orquestra sinfônica em 73. Sucesso de vendas no mundo inteiro, em 74 superou até os Beatles em vendas na Australia. Seu trabalho é detentor de vários prêmios internacionais e foi top na lista World Beat Artist of the Year da revista Downbeat por duas vezes consecutivas (em 75 e 76).

Em 1998, “Nascimento” recebe o Grammy de melhor album de World Beat do ano e em 2000 o Grammy latino para melhor album pop com “Crooner”.

Milton Nascimento tambem é o único artista a encenar em vários lugares do mundo uma missa musicada, a Missa dos Quilombos, obra idealizada por Dom Helder Camara que homenageava Zumbi dos Palmares e abordou o sincretismo religioso brasileiro.

Milton é o artista brasileiro com a maior numero de participação com artistas internacionais : Pat Metheny, Herbie Hancock, Ron Carter, Mercedes Sosa, Fito Paez, Hubert Laws, Peter Gabriel, James Taylor, Sting, Paul Simon, Jon Andersen (Yes), Duran, Duran. Maurice White, Gil Goldstein e Jack Dejohnette. E ainda é de Milton o mérito de ser o artista brasileiro que mais fez turnes internacionais, lotando casas de shows famosas no mundo inteiro, inclusive o Theatre de la Ville em Paris por 10 dias consecutivos.

Muito antes dos iPhones, Milton Nascimento provocava filas nas porta das lojas de disco antes do lançamento. Isso aconteceu com o disco Geraes, que tinha participação de Mercedes Sosa e do Grupo chileno Agua num trabalho especialmente focado na musica latina. Voce consegue imaginar isso?

Seu disco “Txai”, concebido a partir de uma viagem de mais de 18 dias de barco pelo Rio Juruá, no Estado do Acre até a divisa com o Peru, chega ao primeiro lugar da lista de World Music da Revista “Billboard”.

Poderia ir muito mais além, mas acho que este pouco já é o suficiente para mostrar que qualidade também vende e que hoje estamos afundados num poço de merda musical, porque nós realmente mudamos como pessoas. E mudamos para pior.