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O discurso óbvio para introduzir um dialogo sobre Caetano Veloso poderia ser: A musica brasileira não seria a mesma sem ele…. Mas isto ja não cabe mais aqui na Lapaloop visto que independente de qualquer questão política, eu sou um fan incondicional do seu trabalho.

O que me resta então como observador e admirador de sua arte é vislumbrar um certo… “futuro”.

Futuro este, onde se perceberia a relação de sua obra com o tempo. As direções que sua criatividade tomaria. Em que cores ele imprimiria um mundo pós Estado Islâmico, de consumo extremista, vazio intelectual, desesperança e tantas outras atrocidades? E finalmente em que tom se afinaria a voz que poetizou tão liricamente as ultimas décadas?

Esta mesma voz que nos remeteu a ingenuidade sessentista dos festivais, ao desbunde liberal dos anos 70, ao materialismo inconsequente dos anos 80, as incertezas políticas dos anos 90 e a frustração da nova era no ano 2000…

Olhando para este passado, talvez eu possa vislumbrar um futuro que não seria focado numa percepção coletiva sobre quem somos ou o que somos capazes fazer um com os outros, mas sim um olhar menos observador e mais introspectivo.

Assim como Dali ou Picasso, Freda, Einsten ou Luther King, que tinham muito a nos ensinar com a precocidade de sua sabedoria, Caetano deixa como rastro a insistente mania de colocar a beleza acima de todas as coisas sem deixar de polemizar quando necessário, e assim como todos os diferentes gênios citados acima, resta ainda a difícil tarefa de entender o espirito do homem para imaginar o futuro de sua belíssima obra.

 

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